Após décadas de mobilização, Circo de Tradição Familiar é registrado como Patrimônio Cultural do Brasil
- Danielle Fernandes Rodrigues Furlani
- 27 de mar.
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O Circo de Tradição Familiar foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil em 11 de março, por decisão unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reunido no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ). Com a deliberação, a manifestação passa a ser inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, reafirmando sua importância para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira.
Presente em todo o país, o Circo de Tradição Familiar distingue-se pela itinerância, pela organização em núcleos familiares e pela transmissão oral, entre gerações, de saberes, técnicas e modos de vida. Em muitos casos, as famílias chegam à oitava geração dedicada à arte circense, mantendo viva uma tradição que reúne espetáculo, trabalho, moradia, sustento e convivência comunitária.
O pedido de registro foi protocolado em 2005 pelo Circo Zanchettini, do Paraná, liderado por Wanda Cabral Zanchettin, que desde a década de 1990 defendia o reconhecimento do circo como patrimônio cultural brasileiro. Com a oficialização do registro, inicia-se uma nova etapa voltada à salvaguarda dessa tradição.
O processo mobilizou famílias circenses, associações, pesquisadores e instituições públicas, culminando na realização de pesquisa através do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) e na elaboração do dossiê técnico que fundamentou a decisão. O documento recomenda que o Iphan, em parceria com a Funarte e outras instituições, amplie o diálogo com a comunidade circense, realize diagnóstico das políticas existentes e estruture ações voltadas à sustentabilidade sociocultural do Circo de Tradição Familiar.


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