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Arte viva: O amor de Beauty e o abril laranja

  • José Ribamar Mitoso
  • 23 de abr.
  • 3 min de leitura

Querida Beauty, por muito tempo a natureza não será capaz de criar uma gata tão perfeita quanto você. A caxemira da  Índia parece a crina de um camelo comparada à seda fina e lustrosa da sua pelagem. Você exala um perfume que faria os anjos desmaiarem. Seu corpo é a beleza mais requintada que a Inglaterra já produziu, milagre da criação. Mas sua cauda, ​​elegante intérprete dos impulsos do coração, supera tudo! Nunca se viu gata tão elegante (...)". 


"Esqueça aquele velho Puff que dorme como um nobre inglês no Parlamento; é um traidor miserável dos Whigs; e que já perdeu tudo o que poderia agradar a uma gata"    


(A mundialmente famosa cantada do gato francês Brisquet na gata inglesa Beauty / in "Penas de amor de uma gata inglesa" (1842)/ Balzac )


O prusso-alemão ETA Hoffmann (1776-1822) foi o primeiro escritor moderno a narrar fábula em primeira pessoa, mas sem sensiência e estética vegana.Balzac (1799-1850) foi o segundo, mas o primeiro com  sensibilidade, sensiência e estética vegana. Em "penas de amor de uma gata inglesa" (1842) mostrou saber da alma d@s gat@s. 


Saber de gestos que correspondem e expressam sentimentos. Da posição do rabo ao arquear do corpo. Do alongamento ao tipo de movimento ao andar . E através de Beauty,  personagem-narradora, Balzac mostrou uma admirável consciência  de luta contra o especismo, contra os maus-tratos de uma espécie por outras.


A gata Beauty e a luta contra o especismo:"As gatas e os gatos da Inglaterra vieram rogar-me que entrasse em sua Sociedade Ratófila. Me explicaram que não havia nada mais ordinário que andar correndo atrás de ratas e ratos. Por último, haviam formado, para maior gloria do país, uma Sociedade de Temperança."


Beauty: "Algumas noites mais tarde, fomos Puff e eu ao telhado do salão de Almack ouvir um gato gris falar deste tema. Ele disse que havia estudado a anatomia de rat@s e que havia  pouca diferença entre el@s e @s gat@s: que a opressão de  uns por outros era contra o direito dos animais. “São nossos irmãos”, disse."


Lord Puff (pretendente de Beauty)  e o agronegócio do especismo  no século XIX. Beauty: "(Ao ouvir o gato gris) Lord Puff  confidenciou-me que a Inglaterra queria fazer um imenso comércio con rat@s; que se os gatos não mais @s  comessem,  o preço das ratas baixaria;  detrás da moral inglesa sempre há alguma razão mercantil"


Beauty: "Un Gato campesino disse  que na Europa gat@s eram sacrificad@s cotidianamente pel@s católic@s. Barbárie que atribuía a  ignorância da verdadeira religião anglicana, que  não permitia violências e mentiras  fora das questões governamentais, de política exterior ou de gabinete. Foi tratado de radical cabeça oca".


Aproveitando  cochilo de Lord Puff na reunião, o gato francês Brisquet, pícaro sátiro, deu uma cantada em Beauty que entrou para a história da literatura universal. Ela se apaixonou. Traiu Lord Puff. Puff soube e processou Beauty. Puck, sobrinho de Puff, matou Brisquet. A polícia disse que foi suicídio. Arsênico. Beauty desmentiu.


Mas, leitora, leitor, é tudo ficção. Em literatura de ficção,  a verdade não sai do texto. São palavras. Nada disso aconteceu. É ficção que Puck matou Brisquet. Gato não mata outro. Humanos, sim. Todavia,  o movimento vegan mundial para acabar com a violência especista de humanos é real. Abril Laranja. Balzac era um gênio.


Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 23/4/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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