Emissoras discutem venda da faixa de 600 MHz enquanto avanço da TV 3.0 enfrenta obstáculos
- Maria Luiza de Paiva Cruz
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
O Ministério das Comunicações iniciou discussões com emissoras de televisão sobre a possibilidade de criação de um mercado secundário de espectro, que permitiria às empresas de radiodifusão venderem parte de suas frequências na faixa de 600 MHz para operadoras de telecomunicações. A medida poderia gerar novas receitas para o setor de TV aberta, mas depende de uma série de fatores regulatórios e de alinhamento entre governo, empresas de telecom e radiodifusores.
Entre os desafios apontados estão a necessidade de coordenação com a Anatel, responsável pela gestão do espectro, e o interesse limitado das operadoras de telecomunicações em adquirir novas faixas neste momento, já que muitas empresas ainda lidam com os investimentos realizados no leilão do 5G. Além disso, há divergências entre as próprias emissoras: enquanto algumas defendem a venda do espectro, outras preferem mantê-lo para possíveis usos futuros, como transmissões móveis de TV aberta.
Paralelamente, o lançamento comercial da TV 3.0 enfrenta dificuldades. A proposta das emissoras de utilizar cerca de R$ 1,3 bilhão de recursos ligados ao edital do 5G para financiar kits de recepção da nova tecnologia encontra barreiras jurídicas e administrativas, além de restrições relacionadas ao período eleitoral e a compromissos ainda pendentes do leilão.
Apesar dessas limitações, algumas emissoras afirmam estar preparadas para iniciar a nova tecnologia em 2026. Há previsão de implementação inicial em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, com possibilidade de expansão posterior para Brasília. O cenário revela que a transição tecnológica da TV aberta no Brasil ainda depende de ajustes regulatórios, financeiros e de infraestrutura para se consolidar.


Comentários