Memes políticos competem no imaginário coletivo com humor, mas também podem propagar desinformação
- Danielle Fernandes Rodrigues Furlani
- 16 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Durante o último debate do primeiro turno das eleições de 2022, a candidata à presidência Soraya Thronicke (Pode) chamou o candidato Padre Kelmon (PL) de "padre de festa junina", uma declaração que se tornou viral na internet e virou meme, sendo repetida amplamente e lembrada até hoje.
Os memes, definidos como conteúdos que viralizam online, vão além do entretenimento, podendo servir a objetivos políticos, conforme explica o professor Viktor Chagas, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele observa que o termo "meme" foi criado pelo biólogo Richard Dawkins nos anos 70, mas ganhou um novo significado com a popularização da internet, referindo-se ao compartilhamento de imagens e vídeos virais.
A pesquisadora Débora Salles, do NetLab-UFRJ, destaca que o uso de memes em campanhas políticas começou a se intensificar entre 2008 e 2012, com a campanha de Barack Obama. No Brasil, isso se consolidou nas eleições de 2014, quando memes passaram a ter um papel significativo, muitas vezes com conotações misóginas.
Os memes podem ser usados para influenciar a opinião pública e difamar adversários, além de serem criados por apoiadores para criticar opositores. Apesar de nem sempre terem conteúdo malicioso, eles podem ser manipulados para propagar desinformação e discursos de ódio, especialmente por grupos extremistas.
Salles diferencia desinformação de informação falsa, sendo a primeira mais complexa, pois envolve informações verdadeiras retiradas de contexto. O uso de memes na desinformação representa um desafio, pois as plataformas digitais enfrentam dificuldades para moderar esse tipo de conteúdo. Ela alerta que o humor pode ser uma estratégia para comunicar mensagens que, de outra forma, não seriam aceitas. Por isso, enfatiza a importância de educar os eleitores a interpretar corretamente memes e conteúdos humorísticos.

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