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Arte viva: O sol em gêmeos e a posse do Wander Lourenço na Academia Brasileira de Filologia

José Ribamar Mitoso
6 de ago.
3 min de leitura

"A alegria é a prova dos nove". 

In Manifesto Antropófago (1928) / Oswald de Andrade 

          

Por uma destas inexplicáveis jogadas do destino,  e talvez porque  o Sol estivesse em Gêmeos, no dia 16 de julho o poeta Gustavo Medeiros pediu ao escritor, pesquisador e docente Wander Lourenço de Oliveira para me incluir na  lista de convidados para a 

sua posse na Academia Brasileira de Filologia. A cerimônia de posse do Lourenço ocorreria no  Auditório Glauber Rocha, no Museu da Imagem e do Som, na Praça XV .


Após a posse, em um belo grupo, fomos à Casa do Cordel assistir ao músico/melodista mineiro Amarildo Silva apresentar em show as composições que criou em parceria com o Lourenço. Lá encontrei a atriz e pensadora Lúcia Pardo, minha amiga ancestral. Entre o gesto do poeta Gustavo e a agradável noite artística no centro do Rio Antigo, a cerimônia de posse mobilizou minhas emoções racionais e meus pensamentos emotivos.

   

A cerimônia foi conduzida pelo presidente Amós Coelho da Silva e pelo vice-presidente  Deonísio da Silva. E a mesa foi composta por várias acadêmicas e vários acadêmicos da ABRAFIL. O bom humor e a alegria visível de ambos, (que é a prova dos nove ),  sintonizaram o ambiente  em  uma erudita frequência vibratória de  energia  saudável, terna, leve e serena. E isto é incrível porque, já há algum tempo,  a erudição tem escolhido o mau-humor como preferencial companhia.


O escritor e acadêmico Deonísio da Silva já iniciou informando que na ABRAFIL as cerimônias são menos ritos e formalidades,  e mais afeto e fraternidade humana. E a partir desta virada na chave dos ritos cerimoniais das instituições acadêmicas brasileiras, ele conduziu a posse do Lourenço de forma  leve, suave, tranquila e bem-humorada. Como foram os discursos de todas as acadêmicas e acadêmicos. Que mantiveram a sintonia na  frequência vibratória de uma erudição simples, amável, terna e alegre.


Os discursos destacaram a verdade. Lourenço é um dos mais brilhantes  artistas/intelectuais do país dos "influencers". Um currículo com vários pós-doutorados, doutorado, mestrado, especializações, teses, dissertações, livros sobre teoria da arte (literatura, sobretudo) romances,  filmes, poemas, canções...a lista é longa. Lourenço é um polímata. 


Isto é: repito para manter o ritmo narrativo: Lourenço é um  polímata transdisciplinar,  que mobiliza sua  subjetividade ampla, plural e criativa para aquilo que Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) colocou em poema : "Sentir tudo de todas as maneiras / Viver tudo de todos os lados / Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo / Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos".

 

Como este texto é apenas uma crônica do cotidiano, e não uma matéria jornalística ou um ensaio acadêmico, evitarei cuidar aqui das suas estéticas artísticas e de suas epistemologias acadêmicas. Não é o objetivo. Seria injusto sintetizar em alguns parágrafos uma experimentação estético-estilística que flutua por várias formas artísticas,  como a literatura, o teatro, a música  e o cinema. Seria injusto fazer o mesmo com as epistemologias que estruturam seu pensamento e suas reflexões acadêmicas.


Voltando aos discursos acadêmicos de saudação: eles destacaram as  qualidades teóricas e artísticas do novo colega. Mas algo diferente mobilizou minha percepção: em uma posse de um novo acadêmico na Academia Brasileira de Filologia, as vozes narrativas revelaram uma saudável expectativa sobre como o trabalho de um artista como Lourenço pode ajudar no fortalecimento de uma  instituição acadêmica na cena cultural brasileira. Instigante. 


Foi um dia especial. Segundo minha vizinha astróloga, o sol em gêmeos favorece equilíbrio entre apreciação da beleza, comunicação e troca de ideias em tom emocional, alegre e suave. Intuitiva.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 6/8/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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