Bolsistas do projeto Cultura, Comunicação e Informação na Era Digital apresentam pesquisas no XI Encontro da Sociedade EPTICC
- Danielle Fernandes Rodrigues Furlani
- há 14 horas
- 5 min de leitura
Nos dias 21 e 22 de maio de 2026, as bolsistas Maria Carolina C. Fioravante e Danielle F. R. Furlani apresentam resultados do projeto de pesquisa “Cultura, Comunicação e Informação na Era Digital”, da Dra. Eula D. T. Cabral, no XI Encontro da Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPTICC). As apresentações são realizadas presencialmente, em Belo Horizonte (MG), na Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O XI EPTICC, que tem como tema “Imperialismo, colonialismo e soberania na periferia do capitalismo”, acontece nos dias 19 a 23 de maio de 2026 na Escola de Ciência da Informação da UFMG, em Belo Horizonte (MG). É uma realização da Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura (EPTICC), antiga Ulepicc-Brasil.
No dia 21 de maio de 2026, às 16h30, é apresentado o trabalho “As Indústrias Midiáticas sob o olhar do Senado e da Câmara dos Deputados”, em coautoria com a Dra. Eula D. T. Cabral e a bolsista Maria Luiza de Paiva Cruz, no GT 3 - Indústrias Midiáticas. A apresentação é feita pela bolsista do Programa de Iniciação Científica da Fundação Casa de Rui Barbosa (PIC-FCRB), graduanda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e integrante do grupo de pesquisa Economia Política da Comunicação e da Cultura (EPCC-FCRB), Maria Carolina C. Fioravante.
No dia 22 de maio de 2026, às 14h, é apresentada a pesquisa “A atuação editorial da nova direita no campo cultural brasileiro: análise do CEDET”, em coautoria com a Dra. Eula D. T. Cabral, no GT 4 - Políticas Culturais e Economia Política da Cultura. A apresentação é feita pela bolsista do Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico na Área da Cultura da Fundação Casa de Rui Barbosa (PIPC-FCRB), Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (PPGS-UFF) e membro do grupo de pesquisa Economia Política da Comunicação e da Cultura (EPCC-FCRB), Danielle F. R. Furlani.
Conheça as pesquisas
As Indústrias Midiáticas sob o olhar do Senado e da Câmara dos Deputados
No Brasil, as indústrias midiáticas têm grande influência na vida dos brasileiros. A PNAD Contínua sobre Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal em 2024 (IBGE, 2025) detectou que 94,3% dos domicílios particulares permanentes do país têm televisão; 88%, TV aberta; 42,1%, serviço pago de streaming; e 25,2%, TV por assinatura. O telefone móvel celular está em 96,7% dos domicílios e o fixo convencional, em 9,5% dos lares. Já a internet, em 93,6%, sendo que o acesso no celular chega a 98,8%. Mas, como vem se dando a criação, produção, circulação, organização e comercialização de conteúdos de natureza cultural, informativa e de entretenimento desses meios? Para entender esta realidade, o objetivo do trabalho é mostrar como o Senado e a Câmara dos Deputados vêm se posicionando como representantes do povo. Para isso, trabalha-se com aportes teóricos da Economia Política da Comunicação, partindo do projeto de pesquisa “Cultura, Comunicação e Informação na era digital” (CABRAL, 2025) e das contribuições de César Bolaño (2000; 2010; 2016), Cabral (2023; 2025), Cabral e Cabral Filho (2024) e Freire (2025). A partir da pesquisa bibliográfica e documental, fez-se levantamento das palavras “radiodifusão”, “TV”, “televisão”, “rádio”, “rádio comunitária”, “fake news”, “desinformação”, “internet”, “streaming” e “inteligência artificial” nos sites das duas Casas no período de setembro a dezembro de 2025. Dentre as análises, verificou-se que as palavras “radiodifusão”, “TV”, “televisão”, “rádio”, “rádio comunitária” apareceram 101 vezes no site Senado Notícias e no portal da Câmara dos Deputados, tendo como foco prevenção às drogas em campanhas de rádio e televisão, outorgas de emissoras de rádio e TV, censura, função social do rádio e da TV no Brasil, criação de redes de rádio e televisão, autorização às associações comunitárias de radiodifusão executarem serviço de radiodifusão comunitária e proposta sobre aumento de potência de transmissão das rádios comunitárias, permitindo maior alcance do sinal, além da análise de direitos, crianças e adolescentes, o papel da tecnologia e o esporte. No que tange aos termos “fake news”, “desinformação”, “internet”, “streaming” e “inteligência artificial”, foram registradas 150 postagens entre notícias, áudios e vídeos. A análise desses conteúdos revela que a sociedade precisa ficar atenta à proteção da democracia, uma vez que existem disputas de forças e lobbies no Congresso Nacional, além de interesses econômicos e políticos e dinâmicas de poder no campo das indústrias midiáticas, como concentração e regulação da mídia - temas que não podem ser ignorados diante das eleições de 2026, que definirão se haverá (ou não) atualização do marco legal brasileiro, no que tange às novas tecnologias, exigindo checagem de fatos, prevenção de golpes, letramento digital e proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. Além disso, destaca-se que a cobrança da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) sobre plataformas de vídeo sob demanda continua em pauta, pois envolve conteúdos nacionais e produções independentes, visando equilibrar a competição do streaming com a TV aberta, garantindo recursos para o audiovisual brasileiro. Temas que chamam atenção para a importância de entender criticamente as indústrias midiáticas no Brasil.
A atuação editorial da nova direita no campo cultural brasileiro: análise do CEDET
No Brasil, o mercado editorial da “nova direita” ganhou bastante destaque nos últimos anos. Intelectuais alinhados à “nova direita” conquistaram espaço crescente na esfera pública nacional, destacando-se não apenas na imprensa tradicional e nas redes sociais, mas também no setor editorial (Puglia, 2018). Editoras e editores encontraram no Brasil um terreno fértil para difundir produtos culturais alinhados às direitas, fomentando debates políticos contemporâneos (Pereira e Saferstein, 2024), onde suas estratégias se alinham ao campo político e ganham espaço no mercado cultural brasileiro. Diante desta realidade, o objetivo do trabalho é analisar o papel do Centro de Desenvolvimento Profissional e Tecnológico (Cedet) na consolidação de um ecossistema editorial da nova direita no Brasil. Para isso, mobiliza os aportes teóricos da Economia Política da Comunicação e da Cultura, partindo do projeto de pesquisa projeto “Cultura, Comunicação e Informação na era digital” (Cabral, 2021) e das contribuições de César Bolaño (2000; 2010; 2016), em diálogo com a teoria dos campos culturais de Pierre Bourdieu (2006). Examina-se como o Cedet atua com infraestrutura técnica e comercial, oferecendo soluções editoriais integradas, e como agente de legitimação simbólica, viabilizando a produção, circulação e consagração de obras alinhadas aos valores e discursos da nova direita, disputando posições no campo cultural brasileiro. Dentre as análises que vêm sendo feitas, observa-se que o Cedet exemplifica a subsunção da produção cultural às lógicas do capital monopolista, ao organizar-se por meio de segmentação de públicos, estratégias de massificação e controle de diferentes etapas do processo editorial — da edição à impressão, distribuição e comercialização. Essa dinâmica fica evidente em sua rede diversificada, que combina selos próprios, parcerias com editoras, sistemas estruturados de revenda, livrarias virtuais e acordos com influenciadores. A presença de seus títulos em múltiplos canais de venda e o investimento em produtos como cadernos, planners e quebra-cabeças reforçam um modelo de negócios orientado à expansão e à reprodução ampliada do capital. As estratégias do Cedet envolvem disputas por reconhecimento, consagração e legitimidade cultural, publicando autores centrais para a nova direita brasileira, como Olavo de Carvalho, Ana Campagnolo e Eduardo Bolsonaro, e traduzindo nomes consagrados do liberalismo e do conservadorismo, como Adam Smith, Ludwig von Mises, Roger Scruton e Edmund Burke. Ao mesmo tempo, gerencia livrarias virtuais associadas a influenciadores e figuras públicas desse espectro, construindo um circuito que não apenas amplia a visibilidade dessas ideias, mas também reforça seu próprio capital simbólico ao se vincular a nomes já reconhecidos. Assim, o estudo do Cedet oferece importantes pistas sobre como setores das direitas brasileiras têm articulado estratégias para ocupar o campo cultural, evidenciando a necessidade de compreender o mercado editorial não apenas como um setor econômico, mas como uma arena em que projetos políticos, concepções de mundo e práticas sociais disputam narrativas, memórias e os sentidos que moldam a vida cultural brasileira.

Comentários