Especial: “Soy Loco Por Ti América”
- Walmir de Albuquerque Barbosa

- 6 de jan.
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A canção de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Capinan (1968) que tomamos como título da crônica é uma crítica à repressão no Brasil e em outros países da América nos estertores da Guerra Fria e teve o condão de tornar-se o hino das esquerdas para perpetuar Che Guevara como líder socialista da América Latina. Os autores driblaram a censura brasileira ao referir-se ao guerrilheiro, na letra da canção, como “el nombre del hombre muerto” (o nome do homem morto), além da referência ao líder Cubano José Marti. Marcou, também, o momento histórico sombrio da América Latica afundada em ditaduras, autoritarismos e barbáries, promovidas ou apoiadas pelo Império Americano com sua CIA, em conluio com os Generais fascistas e as elites que temiam as transformações sociais que solapassem os seus privilégios. A América estava Mergulhada na Escuridão, a mesma escuridão que cobriu os céus da Venezuela para o neoimperialismo de extrema direita americano infringir as leis internacionais e conspurcar todos os princípios da convivência entre nações soberanas. Maduro é um detalhe, o imperialismo e o desrespeito à soberania das nações para confiscar-lhes riquezas que não lhes pertencem é o problema principal. Houve crime!
Donald Trump, presidente americano, não inova, apenas retoma o que há de mais insano de seus antecessores, que acreditam na predestinação da América do Norte – o tal “destino manifesto”, que mais tarde (início do século XIX) chamou-se Doutrina Monroe e, agora o imperador de plantão tenta emplacar como “Doutrina Donroe”, para que se cumpra a máxima de que a repetição da tragédia seja como farsa. Maduro e Esposa foram sequestrados após um bombardeio pelo arsenal de guerra americano e pela ação de uma tropa de elite e prováveis traidores de plantão, como soe acontecer. Estão presos, acusados de “narcoterrorismo”, crime inventado pela extrema-direita e não aceito na criminologia da maioria dos Estados Democráticos.
Pobre Venezuela: não lhe bastava ser o berço mais próspero dos Caudilhos das Américas, que lhes roubaram a seiva democrática por mais de um século; dona de uma elite branca, estúpida e extremamente cruel, que se arvora sempre do comando político e econômico da Nação; agora, aqueles que lideraram os movimentos reformistas, prometendo por fim às desigualdades, por apego ao poder, tornaram-se miseráveis algozes do povo, iguais aos que haviam substituído. A Revolução Bolivariana enganou o povo. Hugo Chávez, para manter-se no poder, desde 1998, quando eleito pela primeira vez, foi permissivo a um generalato corrupto que o cercou muito tempo, assenhorou-se das instituições civis, enfronhou-se nas atividades econômicas e será difícil negar um envolvimento com o narcotráfico, dando margem para as acusações que lhes são feitas. Maduro, por sua vez, ao suceder Chávez após a sua morte em 2013, foi aprofundando a destruição de todas as instituições que davam sustentação do Estado Venezuelano: armou as Milícias de apoio do governo; aparelhou a justiça demitindo, prendendo e substituindo juízes; fechou o Congresso e o reabriu após aniquilar com prisões, torturas, mortes e banimento toda a oposição a seu governo; fraudou eleições e tornou-se um tirano do seu próprio povo que, sem alternativas, espalhou-se como imigrante por todos os países das Américas (cerca de 8 milhões). Entre os que ficaram, 53% da população mergulha na pobreza e na miséria. Além do desamparo na garantia de direitos fundamentais.
Isolada do concerto mundial das nações, a Venezuela, em sendo detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, tornou-se presa fácil, por obra e graça de seu Ditador e do Governo Trump, que vinha mirando e escolhendo um porto seguro para dizer a toda a América Latina que ela é o seu quintal e fará tudo que ele quiser. Não será bem assim, mas a declaração de terrorismo de estado e instabilidade internacional criarão um inferno para todos. Os congêneres de extrema-direita não venezuelana veem nesse episódio uma “porta da esperança” para seus intuitos e os venezuelanos, que comemoram uma “libertação”, não sabem do seu amanhã. Todos estão com as “barbas de molho” enquanto as riquezas da Venezuela estão sendo divididas entre os vencedores!

Jornalista Profissional.
Professor Emérito e ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas.
Manaus (AM), 6/1/2026.
Confira na obra "Trajetórias culturais e arranjos midiáticos" (2021) seu capítulo "Comunicação, Cultura e Informação: um certo curso de jornalismo e vozes caladas na Amazônia".
Confira no canal do EMERGE a entrevista no programa Programa Comunicação em Movimento 09

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