top of page

Arte viva: Ganzá, Japurutu e xilogravuras (pluralidade estética, movimentos culturais e políticas culturais na democracia brasileira do pós- II guerra)

  • José Ribamar Mitoso
  • 8 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de jan.

 BEBA COCA-COLA 

                    Beba coca cola

                    babe          cola

                         beba coca

                    babe cola caco

                             caco

                              cola

                          c l o a c a 

               (Décio Pignatari / 1957)

                           

      

Muita saúde, paz, vida! Isto sim, leitor(a). Fato. Lembro de uma mestra que me dizia: "Curumim,  as ciências sociais viram vitrine de perfumaria  sem as leis que positivam o fato como dado, entendeu?" Sim. Fato. Da democratização pós-II guerra até a ditadura (1945/1964),o Estado instituiu leis/políticas culturais fragmentadas para si.

 

Da Lei 1.597/51(Vargas), de apoio financeiro a entes culturais estatais para agir na sociedade, até o Decreto 50.293/61 (Jânio Quadros), que incluiu entidades no Conselho de Cultura, todas instituíram políticas culturais do Estado para si. Nenhuma para os movimentos d@s trabalhador@s da cultura. Fato.

   

E nesta quadra temporal, nenhum movimento estético-cultural surgiu de apoio estatal. Pelo contrário. Mas surgiram. Movimentos identitários indígenas, artesania, folclore, festas populares, arte. E expressaram fusões de formas, gêneros, estilos e linguagens. Somos miúdos e moídos, mas geniais. O país do Carnaval.

   

Ganzá. Mesmo regulado e controlado desde o Estado Novo, o carnaval, apesar da manipulação áulica, fez-se a melhor expressão da estética nacional-popular brasileira. A genialidade coletiva fez o vil virar sublime, o profano virar sagrado, o feio virar belo e o grotesco mostrar verdades proibidas pela simetria da hipocrisia. Show. 

   

Japurutu. Os povos indígenas  também formataram um movimento cultural neste tempo. Com madeira, fibra, pedra, barro, couro, tururi e tinta vegetal, afirmaram a arte/artesania da estética ancestral, diferente da atual indigenofagia. Escultura, cestaria, cerâmica e lutheria como expressões do sagrado e do mítico.

 

Xilogravuras. Artesanias de matriz Ibérica e afrodescendente também expressaram movimentos culturais da estética nacional-popular. O profano sagrado, o vil sublime, o satírico ranzinza e o mito vivo são as fusões de categorias  estéticas básicas que estão em esculturas, cerâmicas, ilustrações e artes decorativas populares.

 

O Movimento Folclórico, fortalecido com a criação da Comissão Nacional de Folclore (1947), é outro movimento cultural desta etapa. Possuía aspectos exóticos, estereotipias e xenofobias. Mas valorizou as tradições populares da estética nacional-popular nas lendas, danças, artesanias e festas religiosas populares. 

 

Todavia, as artes firmaram estéticas internacionais-populares. Fundiram estéticas estrangeiras com o Brasil. Cinema novo, bossa-nova, teatro de arena. Exceto a poesia anti-imperialista neoconcreta "Beba-Coca". E o teatro  do cômico no trágico de Nelson Rodrigues. Feito para sentir. Brasil. Brecht era para pensar. Alemão. Arte Viva.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       Participou do VIII Colóquio de Culturas Digitais: Literatura Pan-Amazônica e etnomúsica brasileira na CPLP, lançando seu livro “Noturno manauara:_contos amazônicos na desglobalização”.

Rio de Janeiro (RJ), 8/1/2026.

*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
bottom of page