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Arte viva: A arte contemporânea e a Guerra Civil Espanhola

  • José Ribamar Mitoso
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

*Artigo escrito em colaboração com a escritora, artista performer e jornalista espanhola Laura Corcuera "As quatro  estações enlouqueceram.

Sem achar terra onde se afogar.

O sol vive chorando chuva.

Exilado no colo da mãe Via-Láctea"

   ("Terra", de  Laura Corcuera/José Ribamar Mitoso) 

 

"Que nada te turbe", 

   Teresa de Ávila, Santa Teresa de Jesús.

A vida é a arte do encontro. O poeta Vinicius de Moraes anunciou isto. Desde 2024,  desde o dia que  Eric Max Baré e Giu Maué encenaram o poema Florestal  (Ribamar), em desfile de moda indígena de Wanglêys Manaó, desde este dia  nossas energias poéticas se encontraram. E estão aqui escrevendo este artigo juntas.


No dia da abertura da "Semana do R-Exílio Espanhol no Brasil / 90 anos da Guerra Civil  Espanhola",  no  Instituto Cervantes / RJ, estas energias declamaram poemas juntas e celebraram a arte da amizade e de ser livre. E decidiram escrever sobre o tema, no difícil equilíbrio de duas vozes narrativas narrando em terceira pessoa sóbria.


A Semana (SREE) foi uma proposta artística, acadêmica e cultural de âmbito internacional sobre o 90º aniversário do  início da guerra civil espanhola e das experiências de exílios espanhóis no Brasil. Foi organizada  pelo Ateliê Artístico La Perereka / RJ , da artista espanhola Laura Corcuera, entre 23-29 de maio de 2026.


A programação interdisciplinar e queer da SREE entrelaçou artes cênica, performance, música, cabaré, literatura, jornalismo, semiótica, audiovisual, fotografia, pensamento crítico, e compromisso com a verdade, a justiça e a beleza. O que possibilitou a expressão/relação estética entre as artes atuais e a guerra civil. 


A SREE abriu, portanto, um espaço/corpo de reflexão (con)juntes sobre os laços históricos e sócio-culturais entre a Península Ibérica (Espanha) e Abya Yala (Pindorama, Brasil). Laços de colonialidade, deslocamento, violências psicossociais. E de resistências criativas, amorosas e políticas ao sádico projeto neocolonial. 


O (R) desta Semana foi um R de Recordação, Restauração, Reparação, Reorganização, Reapropriação, Recarregamento, Redistribuição, Resistência(s). Descendentes de migrantes, exilades e superviventes de massacres  participaram da SREE. E permitiram florescer  os amores que foram proibidos. 


De Málaga (Esp), a bailarina Melina Frías compartilhou sapateados, pesquisa sobre migração andaluz e o Workshop de teatro documental. Luna Gámez expôs videoperformance. De Londres e Madrid,  Alejandro Postigo e Violeta Valladares com Copla: um cabaret espanhol. Do Brasil, Juliana Hoffmann expôs Raízes de Sangue. 


A artista LCGG, em obra plástica, homenageou à escritora espanhola Rosa Chacel, exilada no Rio entre 1940 e 1971. E online, os professores Maite G. de Garay (Universidad de La Rioja, Espanha) e José Naharro-Calderón (University of Maryland, EUA) falaram sobre as literaturas dos exílios. A Arte é Viva. Memória e amor.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 25/6/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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