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Arte viva: A noite estrelada de barriga para cima

Foto do escritor: José Ribamar Mitoso
José Ribamar Mitoso
há 7 dias
2 min de leitura

Veja muito bem isto, leitor(a). É possível que a crueldade e a falta de empatia do ser humano com seus semelhantes possa ter começado há  aproximadamente 2,4 milhões de anos, quando o homo habilis  afiou pedras para cortar carne de outras espécies, e as testou antes no próprio clã. Muito punk o habilis.

 

E também é dado antropoarquelógico que há 400.000 anos nossos ancestrais criaram  lanças afiadíssimas. E que também as testavam em seus iguais. E que foi deste violento passado remoto punk que surgiram as mitologias de deuses carnívoros, que saciavam suas gulas devorando humanos. Annunakis?

   

O escritor Júlio Cortázar foi o que melhor mostrou este sadismo primitivo na vida contemporânea. No conto "a noite de barriga para cima", um homem de moto é atropelado pelo sadismo do trânsito. No hospital, ele sonha que é um ancestral sendo agredido por outro. Acorda e percebe que ele é o ancestral. E que o acidente é o sonho.

   

Lembro de um escritor meu amigo e sua experiência com o sadismo primitivo no presente. Ele era colunista de um portal jornalístico alimentado diariamente por bolsistas. Uma bolsista,  por algum motivo de mau-gosto, não gostava da literatura dele. E por sadismo primitivo no presente, resolveu "atacá-lo"!?

   

A bolsista era aprendiz de jornalista, mas já dominava as técnicas de sadismo subliminar editorial e iniciou perseguição obsessiva contra ele. Usou aquilo que os manuais definem como justaposição editorial, enquadramento (framing), associação implícita, insinuação, desqualificação indireta e indução indireta à associação subliminar por aproximação.  

   

De forma recorrente e seletiva, sempre que o escritor/jornalista publicava seu artigo, ela colocava matérias com títulos, legendas e chamadas sobre machismo próximos ao artigo dele. Para forçar uma associação subliminar negativa dele com o machismo ao leitor ou leitora. Tática diabólica para sabotar sua credibilidade.

   

Mas ele é gay, militante lgbtqiapn+, antipatriarcal, antimachista e anti heteronormatividade. Casado. O marido dele é advogado. Descobriu jurisprudência consolidada que bastavam três justaposições editoriais para caracterizar má-intenção, má-fé, stalking, perseguição obsessiva, discriminação. E ajuizou.

   

A proximidade visual recorrente entre os artigos do escritor e as  matérias sobre machismo colocadas pela bolsista-editora foi a prova que havia intenção de manipular o leitor por livre associação induzida contra ele. A juíza penalizou a bolsista a publicar artigos sobre técnicas de manipulação editorial. As noites continuam de barriga para cima. Mas Cortázar as ilumina.



Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva. 

 
 
 

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