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Arte viva: O caminho da volta (a reinvenção carioca do teatro indígena mito-ritualístico amazônico)

  • José Ribamar Mitoso
  • 30 de abr.
  • 2 min de leitura

Arte Viva, leitor(a). O Teatro Anti-Indígena do século XVI  foi criado para catequizar os povos indígenas e satanizar as lideranças do movimento contracolonial Confederação dos Tamoios. Pe. Anchieta expressou este conteúdo colonialista através da forma estética colonialista Auto Vicentino. Estética para profanar o sagrado indígena. Céu luso.


O Teatro Indigenista foi criado no século XX. Manteve a forma teatral colonialista europeia para tentar expressar um conteúdo anticolonial. Mas a forma não encaixou no conteúdo. Forma e linguagem permaneceram colonizadas, importadas de outra cultura, da qual emprestaram a comédia, a tragédia e a cantata.


Em 1996, escrevi  a  peça teatral Poronominare. Com ela, eu e o Grupo Pombal Artes fundamos  o teatro indígena mito-ritualístico Amazônico, com conteúdo contracolonial e forma contracolonial correspondente, que incorporou expressões cênicas e coreográficas dos rituais indígenas em sua linguagem estética.

   

Por descolonizar a forma e a linguagem teatral brasileira,  a peça obteve muitos prêmios nacionais, incluindo 2 do Ministério da Cultura. É a peça de teatro nacionalmente mais premiada da Amazônia.Saga Munduruku (2007), que também obteve Prêmio Nacional/MINC, e Cunhã (2010), completam a trilogia.       

   

Em março de 2024, a peça O Caminho da Volta _ A Outra História do Rio de Janeiro  reinventou com originalidade a estética contracolonial do teatro mito-ritualístico Amazônico para reler a fundação do Rio de Janeiro. Para expressar um conteúdo contracolonial, o autor e diretor Álamo Facó usou uma  forma estética correspondente.

 

A peça foi encenada na Praia do Flamengo, território Uruçu-Mirim dos Tupinambá(s), onde Estácio de Sá comandou o massacre e fundou a cidade do Rio de Janeiro. Este ambiente cênico no local do confronto criou um elemento original, que reinventou e colocou em novo patamar esta estética teatral Amazônica.

 

Ao  incluiu o ritual Toré e o ritual Antropofágico Tupinambá como parte expressiva da linguagem, a peça reafirmou a estética do teatro mito-ritualístico Amazônico. A participação da plateia nos rituais é inovadora. A plateia como marcadora do ritmo de Maracás também. Reantropofagia do Manifesto Modernista.

   

Álamo Facó escreveu, dirigiu e encenou com brilhantismo.Dauá Puri atuou como o pajé Tupinambá. Anapuaka Tupinambá foi o consultor étnico. Junto com o grupo de atrizes e atores que atuaram, reinventaram o teatro mito-ritualístico Amazônico  e  mantiveram a decolonização da forma e da linguagem teatral brasileira. Muito top.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 30/4/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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