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Arte viva: Virtuosa feira das vaidades - arte, movimentos culturais e políticas culturais em tempos de Diretas Já e outros temperos

  • José Ribamar Mitoso
  • 5 de mar.
  • 3 min de leitura

 “Quem te quiser bem, Caio Mecenas, merece meu canto.” 

In Ode I, 1, livro "Odes (Carmina)", 24 ou 23 a.C / Horácio ( 65 a.C. - 8 a.C.)

 

“O que faz viçosas as searas, sob que astro convém revolver a terra, ó Mecenas, e unir as videiras aos olmos…”

In "Geórgicas" I, 1–2 / Virgílio (70 a.C. - 18a.C.)

               

“Lorenzo, glória da Etrúria, doce sustentáculo das Musas, sob tua liderança as artes florescem, sob tua liderança prosperam em paz.”

in La Giosta / Stanze per la giostra/ "Estrofes para o jogo" (1475–1478) /

Angelo Poliziano (1454–1494)

 

"Não tenho vergonha de usar minhas qualidades para ganhar o favor dos que podem me financiar. A vida exige que cada talento seja aproveitado. O mundo pertence aos que sabem pedir favores e aos que sabem quem deve receber a gratidão.”

De Becky Sharp, personagem do romance "Feira das Vaidades" (1847) , escrito por William Makepeace Thackeray.

 

Leitora e leitor, algumas linhas humanitárias inúteis. Estou em amoroso luto. Como pai de gata amada e como vegan. Como alguém que prefere viver com animais. Portanto, jamais usaria neste texto as técnicas narrativas de textos satíricos, como o faço em literatura de ficção e aqui, em ensaios livres. Mas evitarei amargura.

 

Aqui tenho escrito sobre a relação entre artes, estética, movimentos culturais e políticas culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI. Objeto multidimensional com leitura transdisciplinar. Minha fonte é minha própria tese de doutorado e minha condição de fonte primária como escritor e ativista em movimentos culturais.

 

Já publiquei neste site ensaios livres sobre este tema multidimensional. Foco no Brasil-Colônia, Brasil-União Ibérica, Brasil- Reino Unido a Portugal e Algarves, Brasil Independente Monárquico e Brasil-República, especialmente sobre a República Velha, o Estado Novo, a redemocratização, a ditadura e a atual República Democrática. 

 

Estou na fase pós-campanha das Diretas-Já. As artes estavam travadas na geração nacional-popular e tropicalista. Os movimentos étnicos de povos indígenas, afrodescendentes e mestiços tradicionais afirmavam identidades. O Carnaval estimulava uma revolução de costumes com nudez, liberação sexual e alegria.

 

Neste contexto democrático-popular, José Sarney, eleito presidente, e Celso Furtado, seu ministro da cultura, tiveram uma ideia privatista dissonante. Através da Lei 7.505/86, atualizada em percentuais pela Lei Rouanet  nº 8.313/1991, criaram  uma variação  esquisita do mecenato romano de Caio Mecenas (70 a.C - 8 a.C) .

 

Com o apoio do imperador romano Otávio Augusto, o ricaço Caio Mecenas financiava as artes com sua fortuna pessoal. Ele inaugurou a " era de ouro da literatura latina". Financiou Horácio e Virgílio, por exemplo, que lhe agradeceram com versos áulicos bajulatórios. Fez com seu dinheiro e não com dinheiro público.

 

No mecenato renascentista dos séculos XV e XVI, o financiamento da cultura também era com grana privada de barões, comerciantes e banqueiros. A lei privatista Sarney/Furtado/Collor/Rouanet, através de renúncias fiscais, entregava e entrega dindin público para empresas e ricos fazerem o mecenato e moldarem a cultura.

 

Afirmar que gera emprego é fake news. O modelo público do Sistema Nacional de Cultura gera mais. Dados IBGE e SALIC mostram que entre 1986/2024, em média, o modelo privatista concentrou em 4,8% dos proponentes 50% dos recursos captados. O Sudeste captou cerca de 80% Já deu. Lugar de "negócios culturais" é no FICART / BVM.

 


Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 5/3/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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