Memórias do Cais do Valongo
- Larissa Gama Louback
- 19 de abr. de 2023
- 2 min de leitura
O Cais do Valongo, localizado na região portuária do Rio de Janeiro, foi reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, em 1 de março de 2017.
O lugar foi o principal porto de entrada de escravos africanos no Brasil e representa a exploração e o sofrimento das pessoas que foram trazidas à força ao país até meados do século XIX. O título joga luz sobre um passado de escravidão que deixou como herança uma profunda desigualdade social entre brancos e negros e um racismo estrutural nem sempre reconhecido.
O local era, em verdade, o ponto em que desembarcavam escravos africanos, por onde ingressaram nas rotas da escravidão mais de 4 milhões de pessoas durante os três séculos de regime escravista, tornando-se o maior porto a receber escravos do mundo.
Segundo o IPHAN: Revelado, em 2011, durante as obras do Porto Maravilha, que abrange uma área de cinco milhões de metros quadrados, o Cais foi construído em 1811 pela Intendência Geral de Polícia da Corte do Rio de Janeiro. O objetivo era retirar da Rua Direita, atual Rua Primeiro de Março, o desembarque e comércio de africanos escravizados que eram levados para as plantações de café, fumo e açúcar do interior do Estado e de outras regiões do Brasil. Os que ficavam na capital, geralmente eram os escravos domésticos ou aqueles usados como força de trabalho nas obras públicas.
Em 2012, a prefeitura do Rio de janeiro acatou a sugestão das Organizações dos Movimentos Negros e, em julho do mesmo ano, transformou o espaço em monumento preservado e aberto à visitação pública. O Cais do Valongo passou a integrar o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que estabelece marcos da cultura afro-brasileira na região portuária, ao lado do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, Pedra do Sal, Centro Cultural José Bonifácio e Cemitério dos Pretos Novos.
Está disponibilizado no YouTube o documentário Memórias do Cais do Valongo, sob direção do cineasta Antonio Carlos Muricy e co-direção de Carlo Alexandre Teixeira. Enfatiza a memória e história passada na região portuária que ficou conhecida no séc. XIX com o nome “Pequena África”, termo cunhado segundo consta pelo sambista e pintor, Heitor dos Prazeres.
Para assistir acesse: https://www.youtube.com/watch?v=EAQranIgycA

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