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Mídia no Brasil: para analisar a parceria entre EBC e CMG

Foto do escritor: Eula D.T.Cabral
Eula D.T.Cabral
há 2 dias
4 min de leitura

Os meios de comunicação são fundamentais na vida das pessoas. E, com a evolução das novas tecnologias e as possibilidades de atingirem vários lugares ao mesmo tempo, parcerias com grupos locais e internacionais se tornaram estratégicas para os conglomerados midiáticos obterem mais conhecimento e poderio. Hoje, vamos falar um pouco sobre as parcerias entre os maiores grupos estatais de radiodifusão do Brasil e da China: Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a China Media Group (CMG).


A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é uma empresa estatal federal dependente dos recursos da União. Foi criada em 2007 com o Decreto nº 6.246, de 24 de outubro de 2007, e instituída em 2008 pela Lei nº 11.652, de 7 de abril de 2008, sendo vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.


O artigo 6º da Lei nº 11.652/2008 destaca que a finalidade da EBC é a “prestação de serviços de radiodifusão pública e serviços conexos”. Seu portfólio inclue 15 emissoras de rádio, 2 emissoras de televisão, e, com a parceria com a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), 168 emissoras emissoras de rádio, atingindo mais 60 milhões de pessoas em 181 municípios, e 165 emissoras de televisão que atingem mais de 122 milhões de pessoas em 2.591 municípios. Destaca-se, ainda, a Agência Brasil, que distribui matérias e imagens para a imprensa brasileira e internacional; na área governamental evidencia-se com A Voz do Brasil, Agência Gov, Canal Gov, Rádio Gov e Convocação de rede; além do Canal Educação, Canal Libras, Monitoramento e Análise de Mídia e Publicidade Legal e Licenciamento (Cabral, 2026).


Diferente da EBC, que é uma empresa estatal federal que tem como finalidade a radiodifusão pública, o China Media Group (CMG) é resultado da fusão da Televisão Central da China (incluindo a China Global Television Network), da Rádio Nacional da China e da Rádio International da China, sendo estabelecida em 19 de abril de 2018. Opera com 47 canais de televisão, sendo sete internacionais, oferecendo conteúdo em seis idiomas para 162 países; 17 frequências de rádio direcionadas ao público chinês, sendo sua programação divulgada em 44 idiomas estrangeiros direcionados ao público global. Além de três grandes sites de notícias e 20 jornais e periódicos de circulação nacional. É considerado “a principal organização de mídia do mundo em escala de operações, com as linhas de negócios mais abrangentes, a maior produção de programas e as maiores coberturas” (CCDIBC, 2020).


A EBC tem por finalidade “prestação de serviços de radiodifusão pública e serviços conexos”, onde, conforme artigo 3º da Lei nº 11.652/2008, os objetivos dos serviços de radiodifusão pública, explorados pelo Poder Executivo, visam debate público, consciência crítica do cidadão, “construção da cidadania, a consolidação da democracia e a participação na sociedade, garantindo o direito à informação, à livre expressão do pensamento, à criação e à comunicação” (inciso III), formação do cidadão, inclusão social e socialização da produção de conhecimento, além de “direcionar sua produção e programação pelas finalidades educativas, artísticas, culturais, informativas, científicas e promotoras da cidadania” (inciso VII), dentre outros. Parcerias entre EBC e CMG É interessante destacar o interesse da China pelo Brasil também na área midiática, mesmo sendo países com sistemas de governo diferenciados, mas que se cruzam quando o tema é voltado para o desenvolvimento e disseminação das novas tecnologias e estratégias midiáticas para manter o contato – e até controle - de suas populações.


As parcerias entre os dois conglomerados estatais midiáticos ganharam destaque em 2019, quando o presidente do CMG América Latina, Zhu Boying, veio ao Brasil e assinou com a EBC acordo de cooperação para programas, conteúdos, produção conjunta, transmissão cooperativa, formação de pessoal e intercâmbio tecnológico. Algo que foi refletido no conteúdo transmitido pela EBC.


Sete anos depois, em março de 2026, foi a vez dos representantes da EBC irem à China. De acordo com matérias publicadas pela Agência Brasil, o ex-diretor-presidente da EBC, Andre Basbaum, foi à China e ampliou a parceria com a CMG, com a criação de um formato televisivo conjunto, o Panorama China. Além disso, ampliou a cooperação na área de jornalismo, com a coprodução de documentários, a cessão de direitos de exibição de animações chinesas e o uso de ferramentas de Inteligência Artificial aplicadas à comunicação, além do envio de um profissional da Agência Brasil para atuar como correspondente na China, em parceria com a CMG. Também debateram formas de cooperação no desenvolvimento da tecnologia da TV 3.0 brasileira.


Ao verificar as parcerias entre a EBC e a CMG, observou-se que não se pode ignorar que os dois países são diferentes em relação ao tipo e forma de governo, poderio econômico mundial e tecnológico. Os dois conglomerados de mídia, mesmo sendo estatais, também são diferentes. A EBC é voltada para comunicação pública, interesses dos cidadãos e políticas públicas que visam o bem-estar da população. Já a CMG, é direcionada para os interesses de seus dirigentes, controlando todo conteúdo que entra e sai da China.


O grande diferencial nesses acordos pode estar na troca de inovações tecnológicas e estratégias de conhecer o outro país, tendo a possibilidade de torná-lo um novo mercado que difunda sua cultura, como é o caso da China. Para o Brasil, além de ter acesso a tecnologias avançadas, tem a possibilidade de examinar como o conglomerado chinês consegue chegar em todos os recantos da China e fazer conteúdos diversificados em vários idiomas, difundindo para vários países a partir de parcerias, como vem sendo feito pela CMG.


O fato é que os conglomerados midiáticos são estratégicos em relação aos negócios da mídia. Cabe à sociedade civil, dentro das universidades e centros de pesquisa, acompanhar e se envolver na análise das parcerias que vêm sendo feitas entre os países para que a cidadania, a democracia e a soberania do Brasil não sejam negociados em prol de tecnologia de ponta. Tenha acesso ao artigo completo, assinado por Eula D.T. Cabral e Letícia T. Cabral: Parcerias midiáticas entre Brasil e China: Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Autora: Eula D.T. Cabral  

Doutora e Mestre, com pós-doutorado, em Comunicação Social.  

Dentre suas obras, destacam-se: o livro Concentração da mídia no Brasil: radiodifusão e telecomunicações (2023) - A obra pode ser adquirida a partir do email midianobrasil24@gmail.com - e o projeto de pesquisa  Cultura, Comunicação e Informação na era digital (2025). 

 
 
 

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