Arte viva: Bernardo Vilhena: o gentil poeta do Rock-Brasil

E aí, leitor(a)? Estão bem? Ah! Simmmm. A democracia. Em 1989, fiz um pacto com tod@s amig@s e familiares _seremos amig@s e família enquanto tod@s rimarem bem-querer com a alegria democrática de conviver. Na democracia, Santo Tomás de Aquino nos abençoará com o livre-arbítrio da convivência pacífica e democrática.
Livre arbítrio. Em 1984, na lira dos meus 21 anos, como líder estudantil, participei da Campanha das Diretas Já. E namorei uma yogui, de 35 anos, com a qual fazia terapia corporal bioenergética dançando rock para liberar tensão e sexo. Som e fúria. Falkner. Ela tinha a mesma idade e era amiga-fã do Bernardo Vilhena, o poeta do Rock-Brasil 80. Logo...
... Logo foi ela que me apresentou o Bernardo e quem cantava sua poética, como Lulu Santos, Ritchie, Cazuza e Lobão. E me dizia: se é para importar música estrangeira, cool jazz e Debussy, e fundir com o samba, fazer "bossa-nova", é melhor deixar o samba em paz e importar o rock sem culpa/dolo. Importação antropofágica.
Sim: "Quem quiser aprender a dança do tempo/ Vai ter que tirar seus pés do chão/ Vai ter que mudar seus pensamentos/ Dançar na batida do coração"(BV). E dançávamos, e amávamos. Mas a "vida é nova a cada momento/A vida é um invento" (BV).
Após 42 anos, no lançamento do livro do Álvaro Nassaralla, conheci o Bernardo. Quer dizer: já nos conhecíamos há 42 anos. Já éramos velhos amigos. Apenas ainda não havíamos nos encontrado. E fez-se. E rimos muito juntos. E nos divertimos juntos. E vibramos arte juntos. E passamos a noite juntos. E fruimos juntos a performance de Fausto Fawcett sobre o próprio poema Bolshoi-Pole Dance.
Antes de suas palavras em canções embalarem emoções e mentes de gerações a partir dos anos 80, seus poemas começaram a ser entregues ao público em livros nos anos 70. Vida Bandida e O Rapto da Vida foram seus livros de estreia. Experiência poética da vida como existência/ práxis não-oficial.
Lulu Santos foi quem primeiro gravou um poema de BV. "Gosto de Batom". "Mais uma de Amor" (1983), gravado pela Blitz, foi o primeiro que alcançou todo o país. "Menina Veneno", gravado por Ritchie, virou clássico. "Vida louca vida", gravada por Cazuza/Lobão, comoveu o país. "Revanche", mostrou ao país a favela como senzala.
Foram cantor@s que "declamaram" para mim os poemas de BV. E foi uma namorada/ terapeuta que o "apresentou" para mim. No dia que nos encontramos fisicamente, e nos tratamos como "velhos amigos", agradeci ao BV pelo significado de seus poemas em minha vida e declarei meu amor a sua poética. BV chorou. Doce ícone. Luz.

Autor: José Ribamar Mitoso
Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.
Rio de Janeiro (RJ), 8/10/2026.
*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva.

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