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Arte viva: Fogo alto, "dois irmãos": literatura da comunidade dos países de língua portuguesa

  • José Ribamar Mitoso
  • 2 de abr.
  • 2 min de leitura

Arte Viva, leitor,  leitora. Há muito tempo evito escrever sobre a arte d@s outr@s. E não é porque rouba o tempo que dedico a escrever a minha literatura e a minha dramaturgia. É porque considero a análise da arte deselegante e inútil. A "crítica de arte" é ainda pior - grosseira, negativa e incorreta. Abrigo de predador@s estétic@s.

É deselegante porque, mesmo com critérios estéticos, a análise  quase sempre está incompleta e incorreta, e de algum modo pode ferir a emoção de quem criou. Inútil porque o consentimento público para uma obra de arte existir não depende da estética e seus critérios. É fabricado pelo mercado, com critérios econômicos e mídia.


Todavia, devo a escritor@s da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a divulgação de minha literatura na África e na Ásia lusófonas. Divulgação pelo  modo Samizdat, de pessoa a pessoa, clandestinamente, igual como os textos censurados na antiga URSS. E, por sinergia literária, os divulgarei.


Poderia começar pelo realismo revolucionário de "Mayombe" (1980), do angolano Pepetela. Ou pelo realismo mágico de"Terra Sonâmbula" (1992), do moçambicano Mia Couto. Ou pelo realismo memorialista de "Bom Dia, Camaradas" (2001), do angolano Ondjaki. Ou por "Esse Cabelo" (2015), da angolana Djaimilia.

Mas escolhi o romance "Dois Irmãos", do cabo-verdiano Germano Almeida, pela trajetória e pela inventividade. Publicado em 1995, logo ganhou o consentimento de mercado para existir, inclusive com o "selo de qualidade" Prêmio Camões e com filme. E incluiu a (e)imigração como tema estruturante de obra sobre briga de irmãos.


A imigração pós-independência de Cabo Verde e a família/casa como ambiente de tensão social e intriga entre irmãos, em familia com imigrantes, são os temas centrais da obra. É da tradição literária milenar sobre briga entre irmãos. Do conto egípcio "Dois Irmãos" (1194 a.C.) até "Os irmãos Karamázov" (1880), de  Dostoiévski.

A personagem-narradora participou do julgamento do fratricídio. Ele inicia narrando o crime.Volta e narra a vida de André como imigrante em Lisboa, até receber carta do pai informando-o que sua esposa Maria Joana o havia traído com o irmão João. André retorna à Cabo Verde e comete o fratricídio. É julgado. Reflexão.

Este conteúdo virou forma literária através de um estilo híbrido que uniu o realismo crítico ao chamado romantismo tardio pós-moderno. Romantismo porque tematiza desditas familiares e amorosas. Realismo crítico porque envolve a trama com  reflexão sobre identidade cultural híbrida de imigrantes. Jogo sujo. Fogo alto.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 2/4/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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