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Arte viva: O céu e a rua: projeto sensibilizar 2

  • José Ribamar Mitoso
  • 28 de mai.
  • 3 min de leitura

"Tudo é arte. Nada é arte.

O penico de Duchamps é a fonte da juventude".

Painel de Sérgio Moura e Paulo Leminski, no Artshow/1978.

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"A multimídia (...). A música pode dialogar com o vídeo, a poesia pode ser incorporada em instalações multimídia, e a arquitetura pode ser pensada como um espaço de performance. Estas áreas se alimentam mutuamente,  ampliando as possibilidades de interpretação e fruição da obra".

Regiane  Bressan in Dissertação de Mestrado: "Sérgio Moura, vida e arte voam juntos", Unespar/PR. 

                   

É batata, leitor, leitora. Quero é ver. Na era do primitivismo digital, ao  se perguntar sobre o estilo  de qualquer artista, na recepção automaticamente o pêndulo da mente  simplista muda de assunto e flutua entre satanizá-lo com fake news da vida privada ou  santificá-lo por algum gesto altruísta. Já perceberam isto?


Quem diz o que é arte e molda o gosto não é a escola, a universidade, os próprios artistas, estetas, analistas, o público ou a religião. Quem molda o gosto, no rastro do moldar o pensamento,  é a opinião publicada pela mídia a partir de critérios e interesses de mercado e não por critérios artísticos. Soda. Moda. Roda. #oda.

O Yan Michalski criticou a opinião midiática que glamourizava a dramaturgia de Chico Buarque. Afirmou que eram apenas adaptações de modelos-padrões já consagrados. Gota d’Água de Medeia, de Eurípides. Ópera do Malandro de Ópera dos Três Vinténs, de Brecht. Opinião estética.  Quase esganam Yan com lacrações fakes.


José Ramos Tinhorão escreveu que, culturalmente, a bossa nova expressava a política econômica dependente de substituição de importações. A adaptação brasileira do jazz norte-americano, com a harmonia inspirada na batida cool  intimista, afastou o samba da percussão "praticumbum" raiz. A mídia de mercado, que legitimou a Bossa, quase arranca o Ramos e o Tinhorão do José com lacrações fakes sonsas. Muito cuidado ao divergir do padrão estético criado para o consumo. Fique espert@.


Regiane Bressan estudou vida e obra de Sérgio Moura. Mas como o estudo não interferiu na distribuição e no consumo de mercadoria artística que sustenta mercado/ mídia, ninguém a perturbou. Ótimo. Sua dissertação descreveu a vida, o estético da obra, os projetos de intervenção social através da arte e criou um documentário. 

 

Sua  recepção estético-acadêmica brilhante  incluiu várias camadas de recepções , fazendo um estado da arte  de outras leituras. P. ex. "Moura, sensorial (saiu de Manaus), passou pelo Rio (onde viu os trabalhos de vários artistas) e por Ouro Preto, escolhendo Curitiba para repouso. Aqui, aliou academus à liberdade da infância, pintura e serigrafia nas intervenções e performances (Justino/97). “S.M. trouxe para Curitiba parte dessa poderosa amálgama ético-poética. E desenvolveu diversos projetos de arte público-participativa, com destaque para o Artshow" (Freitas/2022). 

   

Regiane incluiu em sua reflexão outras recepções estéticas acadêmicas, jornalísticas e de outros artistas. Todavia, naquilo que ela tem de singular, tentou desvelar porque Sérgio levou artes e artistas para as ruas para entregar prazer e democracia. O que significou o Arte na Praça, o Artshow e o Sensibilizar 1977/87?  

     

O olhar singular da dissertação e do documentário sobre vida/obra ultrapassa dogmatismos, maniqueísmos, ideologismos, doutrinarismos e fanatismos. É uma bela mobilização conceitual para ler um objeto multidimensional. De Deleuze a Lumet. Pensamento solto e sintético. Linguagem ágil, suave e lírica. Olhar digno da obra. Top.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 28/5/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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