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Arte viva: Taxidermia amor-arte-ciência

Foto do escritor: José Ribamar Mitoso
José Ribamar Mitoso
há 2 dias
2 min de leitura

Amor então

também acaba?

"Não que eu saiba.

O que eu sei

é que se transforma

numa matéria-prima,

que a vida se encarrega

de transformar em raiva.

Ou em rima."

(Paulo Leminski)


Isto. O amor, leitor(a). E não me venha com a sociopatia do poder a qualquer custo, que espetou Jesus na cruz para  censurá-lo,  porque ele dizia que devemos amar uns aos outros. Muito punk esta enfermidade d@s fanátic@s e suas perversões. Pulsão sociopata de poder. Nem Freud na causa. Torturaram o amor. 


E também não me venha dizer que torturar o amor é uma metáfora. Se toque, leitor(a). O calvário foi real. Enfiaram-lhe uma coroa de espinho na cabeça de seu corpo combalido para silenciá-lo. E a memória desta tortura do Mestre Essênio deslizou para o recôndito do inconsciente coletivo, que a transformou em metáfora. 


Amor? Cale-se. Ou lhe enfio uma coroa de espinho na cabeça. Ou uma lança no coração. Metáfora viva. Mas esta perversão não começou com o judeu saduceu Caifás ou com o romano Pilatos. Tem 2,4 milhões de anos. Desde que o homo habilis criou a lança para caçar e a testou em seus semelhantes. Espeta. Que empatia?


A falta de empatia, que é o inconsciente das guerras, aliás, pode ter começado há 4 milhões de anos. Quando os Australopithecus  Aferensis vegetarianos passaram a ser flextarianos. Dar uns belisquetes em carnes. Mas a empatia com os vegetais e outras espécies animais  está de volta aos corações da humanidade. 


Exemplo? Direto ao fato. As leis de proteção aos animais são celebrações do amor interespécies em todo o mundo. É verdade que os egípcios por empatia já mumificavam seus animais para não perdê-los de vista. O luto seria mais doloroso sem vê-los por perto. Mas a taxidernia atual transformou este amor em arte-ciência. 


Stephen T Asma (2001) afirmou que exposições de taxidermia em museus naturais são construções estéticas/visuais da ciência com técnicas de poses de ação. Um dos taxidermistas brasileiros mais brilhantes nesta fascinante arte-ciência-amor é o biólogo taxidermista do Museu Nacional Carlos Rodrigues Neto. 


Sua obra estético-científica consolidou-se na exposição de mamíferos africanos de grande porte, realizada durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém (PA), em 2008. E na Mostra de Mamíferos de Grande Porte, realizada no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, em 2009.          


É atuante nas Mostras de Taxidermia do Museu Nacional/UFRJ. O amor está em seu projeto da taxidermia da saúde emocional familiar. Para atenuar a dor do luto. Amor  heróico_ no dia do incêndio do Museu salvou parte do acervo. Tentou entrar no fogo, mas foi impedido. Se tivesse entrado queimaria. A empatia voltou. Vive na Quinta.

Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.       


Rio de Janeiro (RJ), 10/9/2026.


*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva

 
 
 

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