Arte viva: Taxidermia amor-arte-ciência

Amor então
também acaba?
"Não que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima,
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima."
(Paulo Leminski)
Isto. O amor, leitor(a). E não me venha com a sociopatia do poder a qualquer custo, que espetou Jesus na cruz para censurá-lo, porque ele dizia que devemos amar uns aos outros. Muito punk esta enfermidade d@s fanátic@s e suas perversões. Pulsão sociopata de poder. Nem Freud na causa. Torturaram o amor.
E também não me venha dizer que torturar o amor é uma metáfora. Se toque, leitor(a). O calvário foi real. Enfiaram-lhe uma coroa de espinho na cabeça de seu corpo combalido para silenciá-lo. E a memória desta tortura do Mestre Essênio deslizou para o recôndito do inconsciente coletivo, que a transformou em metáfora.
Amor? Cale-se. Ou lhe enfio uma coroa de espinho na cabeça. Ou uma lança no coração. Metáfora viva. Mas esta perversão não começou com o judeu saduceu Caifás ou com o romano Pilatos. Tem 2,4 milhões de anos. Desde que o homo habilis criou a lança para caçar e a testou em seus semelhantes. Espeta. Que empatia?
A falta de empatia, que é o inconsciente das guerras, aliás, pode ter começado há 4 milhões de anos. Quando os Australopithecus Aferensis vegetarianos passaram a ser flextarianos. Dar uns belisquetes em carnes. Mas a empatia com os vegetais e outras espécies animais está de volta aos corações da humanidade.
Exemplo? Direto ao fato. As leis de proteção aos animais são celebrações do amor interespécies em todo o mundo. É verdade que os egípcios por empatia já mumificavam seus animais para não perdê-los de vista. O luto seria mais doloroso sem vê-los por perto. Mas a taxidernia atual transformou este amor em arte-ciência.
Stephen T Asma (2001) afirmou que exposições de taxidermia em museus naturais são construções estéticas/visuais da ciência com técnicas de poses de ação. Um dos taxidermistas brasileiros mais brilhantes nesta fascinante arte-ciência-amor é o biólogo taxidermista do Museu Nacional Carlos Rodrigues Neto.
Sua obra estético-científica consolidou-se na exposição de mamíferos africanos de grande porte, realizada durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Belém (PA), em 2008. E na Mostra de Mamíferos de Grande Porte, realizada no Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, em 2009.
É atuante nas Mostras de Taxidermia do Museu Nacional/UFRJ. O amor está em seu projeto da taxidermia da saúde emocional familiar. Para atenuar a dor do luto. Amor heróico_ no dia do incêndio do Museu salvou parte do acervo. Tentou entrar no fogo, mas foi impedido. Se tivesse entrado queimaria. A empatia voltou. Vive na Quinta.

Autor: José Ribamar Mitoso
Escritor, Dramaturgo, Professor da Universidade Federal do Amazonas e Doutor em Artes, Movimentos Culturais e Políticas Culturais no Brasil entre os séculos XVI e XXI.
Rio de Janeiro (RJ), 10/9/2026.
*Toda quinta-feira publica no site EPCC sua Arte Viva.


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