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Crônicas do cotidiano: O Encantamento da Política

Foto do escritor: Walmir de Albuquerque Barbosa
Walmir de Albuquerque Barbosa
há 4 horas
3 min de leitura

A Eleição é uma Festa da Democracia e felizes aqueles que podem experimentá-la periodicamente como mandam os princípios, as leis e os direitos que conquistamos nas lides contra as trevas do autoritarismo, do direito divino de mando dos poderosos e, hoje, dos numerosos grupos neofascistas que desejam um retorno ao passado sombrio, com lágrimas que sujaram o rosto das Nações. Como encantamento, a eleição é uma ode fascinante à Liberdade e, também, a demonstração de que o povo, dono do seu destino, tudo faz para que o caminho rumo à igualdade seja o mesmo para todos. É um caminho, mas com muitas veredas e, por essa razão, alguns as usam como atalhos para a vaidade, para a ganância; outros, nelas se perdem por ignorância, por falta de consciência política, por falta de respeito ao próximo, desconstruindo ou construindo, assim, uma outra história. Por isso, toda vigilância é pouca. Vamos Sair de Casa, vamos às Urnas, vamos exercer nossos direitos, vamos festejar e reafirmar nossa convicção, no caso brasileiro: Golpe e Ditadura, Nunca Mais!


Não podemos negar que pairam sobre o momento político suspeitas de interferências indevidas e ameaças de violência de contendores extremados. Contudo, não chegaremos às vias de fato, pois as instituições garantidoras da lisura do pleito agem sob protocolos para contenção de possíveis danos. Na imprensa, alguns reclamam que há mais paixão que discussões racionais sobre planos de governo. Na hora da festa, acho que concordarão comigo, não é a hora apropriada para lidar com as equações matemáticas da macroeconomia e as “certezas imbecis dos economistas do mercado” que fazem lobby em nome dos mais indignos interesses de classe, vaticinando o caos da dívida pública, o perigo do colapso econômico “deles”, caso vençam as eleições os que tem compromissos com o fim das desigualdades sociais, sem negar a importância da Economia na Gestão do Estado. Entretanto, não podemos perder de vistas as inabaláveis convicções que nos animam e que são de senso comum: como eu, minha família, meus vizinhos e amigos estávamos há dez anos? Estávamos desempregados? Estávamos na fila do osso? Estávamos vendo o definhamento do SUS, da perda de direitos adquiridos ao longo de muitos anos de trabalho? Estávamos enterrando nossos mortos porque o Estado recusou-se a socorrer o povo, tratando-o como gado em plena pandemia de COVID e outras epidemias? Estávamos assistindo o desmonte de todas as nossas instituições públicas responsáveis pelos cuidados com o bem comum e a soberania nacional? Vi, nesses últimos anos, a recuperação da esperança em um mundo melhor para os brasileiros via educação, saúde e defesa de direitos dos que mais precisam? E, se nós acabamos com o analfabetismo, com a fome, com as doenças infecciosas via vacinas, porque não seremos capazes de acabar com o crime organizado, com as milícias e com a corrupção?! Esse tipo de raciocínio é possível a todos os cidadãos, independente de seus anos de estudo e baseiam-se na vivência, no cotidiano de todos nós. Ah! O Caráter dos candidatos importa muito. É preciso, se possível, conhecer a folha corrida daqueles que vivem nas sombras do poder ou das facções criminosas. Evite, se possível: mentirosos, golpistas, aproveitadores de ocasião, puxa-sacos contumazes, falsos patriotas; corruptos de carteirinha, que ostentam patrimônios incompatíveis com sua vida de trabalho real ou heranças fortuitas; valentões covardes, que batem em mulher; racistas e xenófobos; fundamentalistas religiosos e negacionistas climáticos. E, de cara com a urna, não ceda à vontade de ninguém. Lembre-se que ninguém se arrependerá por você, caso venha a ajudar a eleger um monstro!


Penso que, nestas eleições, o povo teve a sua atenção despertada para diferentes problemas do país e entendeu que: é preciso garantir nossa democracia; os poderes da República são políticos e emanam da vontade do povo, até mesmo o Judiciário; não existe separação entre técnica e política na gestão do Estado; crimes de “colarinho branco” são imperdoáveis; as nossas elites são cruéis e extorquem os mais pobres e vulneráveis; é preciso ter cuidado com  a “imparcialidade” da grande imprensa, via de regra, ela mente, é parte dos que mandam! Dito isto: vamos à Grande Festa!  




Jornalista Profissional.

Professor Emérito e ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas.

Manaus (AM), 2/10/2026.

*Toda sexta-feira publica no site EPCC suas Crônicas do cotidiano.

Confira na obra "Trajetórias culturais e arranjos midiáticos" (2021) seu capítulo "Comunicação, Cultura e Informação: um certo curso de jornalismo e vozes caladas na Amazônia".

Confira no canal do EMERGE a entrevista no programa Programa Comunicação em Movimento 09

 
 
 

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