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Mídia no Brasil: é preciso identificar vídeos manipulados por IA

  • Foto do escritor: Eula D.T.Cabral
    Eula D.T.Cabral
  • 3 de jun.
  • 4 min de leitura

Entender a mídia no Brasil é fundamental, uma vez que os brasileiros são consumidores midiáticos de meios de comunicação tradicionais (como rádio, TV aberta, jornal, revista etc), das telecomunicações (telefone, TV por assinatura etc) e da internet (streaming, redes sociais etc). Além disso, não se pode ignorar o controle da mídia por poucos conglomerados e que muitos conteúdos audiovisuais, divulgados principalmente na internet, são manipulados por IA. 

 Diante desse cenário desafiador, hoje vamos escrever sobre manipulação de vídeos por IA e como detectá-la.


 Concentração na mídia no Brasil


A concentração da radiodifusão, formada por emissoras de rádio e TV aberta, se dá sob o domínio da Rede Globo, Rede TV!, SBT, Record e Bandeirantes, onde mais de 80% dos lares têm TV aberta e mais de 70% ouvem as emissoras de rádio.

 Na área de telecomunicações, destaca-se o poder de concentração dos grupos Claro, Tim, Oi (em fase de liquidação), Net/Claro e Sky, onde 25,2% dos lares brasileiros são assinantes da TV por assinatura, 96,7% têm telefone móvel celular e 9,5%, telefone fixo convencional. 

 No que tange à internet no Brasil, o controle das redes sociais é feito por dois conglomerados norte-americanos, Meta Platforms e Alphabet. País onde a internet chega a 93,6% da população, sendo o celular o dispositivo mais utilizado por 98,8%, e o serviço pago de streaming chega a 42,1% dos lares brasileiros.


A concentração das redes sociais no Brasil é resultado do domínio do conglomerado norte-americano Meta Platforms, proprietário do WhatsApp, que tem 147 milhões de usuários brasileiros, atingindo 99% dos celulares no país; do Instagram, com 141 milhões de usuários; e do Facebook, que atinge 112 milhões de usuários brasileiros. O grupo norte-americando Alphabet é dono do Youtube, com 144 milhões de usuários mensais.

 Manipulação de vídeos por IA

 No cenário de concentração midiática, verifica-se que o uso da IA vem se dando de forma desordenada. É preciso entender que a Inteligência Artificial (IA) é resultado de programação feita em computadores para auxiliar o ser humano. Entretanto, nos últimos meses, a estratégia foi sofisticar a programação e substituir as pessoas, usando a IA em todos os setores, inclusive na produção do conteúdo difundido na mídia, sendo que a maioria é desinformação que manipula pessoas a aceitarem as mentiras criadas por “líderes" que não respeitam os cidadãos, não se importam com a dignidade humana e só pensam em ganhar e gastar muito dinheiro. E muitos políticos e seus partidos, que são contra a regulamentação da Internet, estão no rol dos que não se importam com os brasileiros. Algo que deve estar sob o olhar de todos os eleitores.

 De acordo com Fernanda Pinotti, da CNN, existe uma ferramenta de IA do Google, chamada VEO que cria vídeos, a partir de um prompt (comando de texto), com imagens e áudios que, se não forem bem analisados, enganam muita gente.

 Assim, a partir de pesquisas de Pinotti, chegou-se à conclusão que as pessoas precisam olhar criticamente para os vídeos disponibilizados. É preciso estar atento ao movimento de olhos e lábios; sincronia do movimento labial com falas; sorrisos exagerados e/ou pouco naturais; desenho e movimentos das mãos; textura da pele com filtro aplicado; inconsistências na interação dos objetos com a luz e as sombras; bordas de objetos borradas; objetos e pessoas que aparecem e desparecem na imagem; marcas d’água de ferramentas de IA, como a palavra "Veo" escrita na parte inferior direita e uma marca d'água invisível chamada SynthID, que aparece nos dados do arquivo gerado.


Porém, com a sofisticação da tecnologia e a falta da regulamentação da internet no Brasil, as dicas de detectação vêm se perdendo, exigindo que as pessoas usem seus conhecimentos e desconfiem dos vídeos, principalmente se forem ligados à política, que aparecem na internet.

 O portal do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCEES) chama atenção para os deepfakes (termo que resulta de “deep learning” - aprendizado profundo - e “fake” - falso) que troca rostos em vídeos, clona vozes e simula ações.


O TCEES adverte que esses vídeos feitos por IA vêm sendo usados para fraudes e golpes - imitando pessoas e solicitando transferências bancárias e informações sigilosas; desinformação e fake news - espalhando boatos, influenciando eleições e prejudicando pessoas e empresas etc.


Mas, como identificar se um vídeo tem conteúdo falso ou verdadeiro?

 Os especialistas, que vêm identificando as manipulações nos vídeos feitos pela IA, chamam atenção da população para que use ferramentas de verificação como:
 Deepware Scanner




 É importante ressaltar que governo federal lançou o Guia de Inteligência Artificial Generativa, auxiliando os brasileiros entenderem o que é e como funciona a IA. Sob o ângulo do mercado, grandes empresas, como Youtube e Spotify, também passaram a verificar se os materiais disponibilizados em suas plataformas vêm sendo feitos por IA. As tecnologias digitais são importantes. Porém, o mal uso e a falta de regulamentação vêm prejudicando as pessoas em todas as áreas e setores. É hora de entender e de se apropriar das novas tecnologias, garantindo a democracia, a cidadania e a soberania do Brasil com uma mídia democrática.

Autora: Eula D.T. Cabral  

Doutora e Mestre, com pós-doutorado, em Comunicação Social.  

Dentre suas obras, destacam-se: o livro Concentração da mídia no Brasil: radiodifusão e telecomunicações (2023) - A obra pode ser adquirida a partir do email midianobrasil24@gmail.com - e o projeto de pesquisa  Cultura, Comunicação e Informação na era digital (2025).  

 
 
 

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