Mídia no Brasil: Por que é importante entender?
- Eula D.T.Cabral

- 18 de fev.
- 3 min de leitura
Desde os anos 90, do século passado, venho fazendo investigações científicas sobre a mídia no Brasil. Tempo que me fez enxergar que se não temos meios de comunicação, de telecomunicações e digitais (pois a internet acabou ganhando um espaço grande, se colocando como algo próprio e fundamental que exige legislação, atenção e conhecimento mais aprofundado) de qualidade é por que o Estado (governos federal, estaduais e municipais), as empresas e a sociedade não prezam pelo bem-estar da população, seus direitos e deveres, e pela soberania nacional.
A mídia no Brasil e o Estado O governo federal, os estaduais e municipais têm um papel fundamental na melhoria dos meios no Brasil. Executivo, Judiciário e Legislativo foram criados para defender os direitos e deveres dos cidadãos e a soberania nacional. Não podem ficar se dividindo em partidos políticos e lutando por interesses próprios.
Por mais que a população seja consumidora midiática, nada justifica que um político (que é representante da população brasileira) seja proprietário de um meio e o utilize para fazer propaganda e marketing pessoais.
Como representante da população, o político não pode ignorar o bem-estar dos brasileiros. Não pode permitir que empresas enganem e só mirem no lucro, deixando de lado a vida das pessoas. Precisa fazer legislações que protejam a criança, o adolescente, o jovem, o adulto e o idoso.
Como ignorar a confiança depositada na urna e a responsabilidade que tem sobre a vida de cada cidadão brasileiro, a democracia e a soberania nacional?
A Constituição federal é a lei maior e exige proteção, bem-estar e dignidade a todos os cidadãos. Corrupção e interesses particulares etc são não aceitáveis. É preciso regulamentar e regular os meios de comunicação, de telecomunicações e a internet. Não é possível aceitar que mais pessoas sejam enganadas e levadas à morte por falta de cuidado do Estado.
A mídia no Brasil e as empresas
É fato que o brasileiro é um grande consumidor midiático, mas não é aceitável que poucos grupos controlem os jornais, as revistas, as emissoras de rádio, de televisão, o streaming, a internet, as redes sociais, as plataformas digitais, a TV por assinatura, o telefone e até a Inteligência Artificial.
Se houvesse alguma preocupação com as pessoas seria ótimo. Mas, o foco é como ganhar mais dinheiro e ter lucro com a mídia. A regulamentação e a regulação protegem a população, o país. É preciso ter regras e evitar o controle, a desinformação e a manipulação dos brasileiros. As empresas também ganham quando conhecem as regras do jogo. A mídia no Brasil e a sociedade
Se o Brasil tem uma Constituição federal que é cidadã (a única que deixa claro quais são os direitos e deveres da população), cabe a cada brasileiro ler, estudar e conhecer.
A sociedade precisa exigir a democratização da mídia, ou seja: "reformulação das políticas públicas, a apropriação das novas tecnologias pela sociedade, a diversidade de produtores capacitados e qualificados para acessar e exercer o controle sobre os meios de grande circulação, a implementação de meios locais e comunitários e a defesa da comunicação, da cultura e da informação como direitos de todos” (Cabral e Cabral Filho, 2024, p.16).
Conceito que abordamos na nossa coluna, uma vez que o Brasil precisa mudar, garantido a democracia e sua soberania nacional.
O conceito de democratização da mídia, que leva em consideração as três áreas controladas pela mídia (comunicação, cultura e informação) e levanta cinco desafios, foi formulado por Eula Cabral e Adilson Cabral Filho e registrado no capítulo "Democratização da comunicação, da cultura e da informação no Brasil e o papel das rádios comunitárias", publicado no ebook Democratização da Cultura, da Comunicação e da Informação na era digital (Cabral e Cabral Filho, 2024). Ele também vem sendo adotado na pesquisa Cultura, Comunicação e Informação na era digital (Cabral, 2025) e na obra Economia Política da Comunicação, da Cultura e da Informação (2025).
A sociedade precisa entender a importância de uma mídia democrática em prol do bem-estar de suas crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos brasileiros. É preciso entender e colocar em prática o direito e a democratização da mídia, ou seja: da cultura, da comunicação e da informação. E somente com conhecimento isso será possível.

Autora: Eula D.T. Cabral
Doutora e Mestre, com pós-doutorado, em Comunicação Social.
Dentre suas obras, destacam-se: o livro Concentração da mídia no Brasil: radiodifusão e telecomunicações (2023) - A obra pode ser adquirida a partir do email midianobrasil24@gmail.com - e o projeto de pesquisa Cultura, Comunicação e Informação na era digital (2025).
Rio de Janeiro (RJ), 18/2/2026.
*Mídia no Brasil é publicada toda quarta-feira no site EPCC.

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